PMs. Muitos. De uniforme cinza. O colete por baixo da camisa. Não é peito de super-herói, mas pode salvar. Mesmo sem santo nem fé. Nunca se sabe. Disparo de arma de fogo não só nas folhas do processo e no relatório da perícia. O corpo da vítima posto no papel. Ângulos de entrada e saída. Cápsulas e disparos. Choque hemorrágico. Um dia. Na plenária, sem aviso. Um outro projétil. Do parente sem consolo. Da viúva sem mansidão nem pensão do INSS. Sentença pouca para tanto sofrimento. Maldito. As contas da justiça não fecham. Tem que fazer. Mesmo que suje as mãos. Maldito. Só assim mesmo. É. A indignação domina. Parente-bicho-fera. A mão vira pata e dispara. Mais um crime. No susto, o choque. Tanto sangue. E medo. E grito. O réu-vítima sem cadeia. Talvez sem chance. O corpo ainda sem laudo. Mas este não é o dia do disparo na plenária. Talvez sem chegar. Nunca. Ainda bem. Para ela. Entre os PMs de cinza, a única mulher. Loira. De cabelos bem curtos. O capricho sob o boné. Platinada. Um po...
Aprecio chás, sem ter me tornado uma fã de variações gourmet – nesta cidade onde agora têm se espalhado lugares não só para beber, mas principalmente adquirir infusões de misturas surpreendentes e nomes encantatórios. Minha simpatia é por algo de botica nessas tea shops , de herbário onde se encontraria cura para todas as doenças do corpo - e da alma... Aqui meu personagem é uma carinhosa brincadeira com um amigo e também homenagem ao mais famoso Nabokov, adaptado por Kubrick – hoje fantasia onipresente que pode assumir ares de perversão. Neste meu caro hotel, em vez de um cool jazz , pode tocar “O cisne”, de “O Carnaval dos Animais”, de Camille Saint-Saëns, na versão com Yo-Yo Ma ao violoncelo. De mood um pouco melancólico, este personagem pode se sentir parte de outro tempo e lugar, talvez da Viena de Schnitzler, talvez da Riviera Francesa de Cary Grant e Grace Kelly em “Ladrão de Casaca”. Boa degustação! Chá com um cisne ...
Comentários
Postar um comentário