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a PM platinada
PMs. Muitos. De uniforme cinza. O colete por baixo da camisa. Não é peito de super-herói, mas pode salvar. Mesmo sem santo nem fé. Nunca se sabe. Disparo de arma de fogo não só nas folhas do processo e no relatório da perícia. O corpo da vítima posto no papel. Ângulos de entrada e saída. Cápsulas e disparos. Choque hemorrágico. Um dia. Na plenária, sem aviso. Um outro projétil. Do parente sem consolo. Da viúva sem mansidão nem pensão do INSS. Sentença pouca para tanto sofrimento. Maldito. As contas da justiça não fecham. Tem que fazer. Mesmo que suje as mãos. Maldito. Só assim mesmo. É. A indignação domina. Parente-bicho-fera. A mão vira pata e dispara. Mais um crime. No susto, o choque. Tanto sangue. E medo. E grito. O réu-vítima sem cadeia. Talvez sem chance. O corpo ainda sem laudo. Mas este não é o dia do disparo na plenária. Talvez sem chegar. Nunca. Ainda bem. Para ela. Entre os PMs de cinza, a única mulher. Loira. De cabelos bem curtos. O capricho sob o boné. Platinada. Um po...
121 de dois
Nos corredores do Fórum ninguém diz: cometeu 121. Foi 121. Inocentado de 121. 121 com qualificadoras. 121 pede “artigo”, não se deixa tomar assim, nu. No Código Penal brasileiro, o crime, artigo 121, é definido por duas palavras: matar alguém. Depois se seguem os vários parágrafos e incisos sobre culpabilidade, qualificadoras e penas. Já o artigo 171 é pop. Está no Houaiss com hifens. Um-sete-um. A definição do crime demanda muitas palavras mais: obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento. A pena não é pequena: reclusão, de um a cinco anos, e multa. Um aparente excesso, se para 121 culposo a pena é de um a três anos. Paradoxal. Chamar o outro de um-sete-um pode ser 121. Para o afeto e a confiança. Aquilo que poderia se constituir entre dois.

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