Postagens

Mostrando postagens de Março, 2014

O filho do pai - Jardim das delícias - site Revista da Cultura

Imagem
Algumas heranças não entram em inventário, não são alvo de disputa. Difícil precisar se poderiam ser também escolhas, eleições em resposta à rejeição e ao abandono, reação inconsciente diante de um incompreensível e inaceitável desamor.
Um outro adicto na interpretação memorável de Jack Lemmon em “The days of wine and roses”, de Blake Edwards, com música de Henry Mancini para a letra de Johnny Mercer:
“The days of wine and roses laugh and run away like a child at play Through a meadow land toward a closing door A door marked ‘nevermore’ that wasn't there before”
O filho do pai
Batem na porta. É madrugada. A mulher sabe. Ali. Sentada no sofá. É ele. Sabia e esperava. Mas ela não abre. De medo. Da violência. A boca seca. As mãos frias. Ela, ali. Quieta, sentada na escuridão. No breu desses seus dias. Dessas noites tão longas. De pressão oscilando. Alta de preocupação. Baixa de vontade de morrer. É. Ela não abre para não ver aqueles olhos. Azuis como os dela. Herança para esse seu filho. T…

Nela. Na lua. - Jardim das delícias - site Revista da Cultura

Imagem
Uma mulher linda e tão divertida. Um homem quase perfeito não fosse a feiura. Ela se apaixona. Ele, intelectual e blasé, simplesmente não a quer. Acontece. Rejeição feita humilhação. Se ela se sente inferior, incapaz de ser par – inigualável, irresistível. Não. E então da gravidade da dor, ela inventa uma falta de gravidade: uma amorosa flutuação - lunar.  

Uma mulher linda e tão divertida. Um homem quase perfeito não fosse a feiura. Ela se apaixona. Ele, intelectual e blasé, simplesmente não a quer. Acontece. Rejeição feita humilhação. Se ela se sente inferior, incapaz de ser par – inigualável, irresistível. Não. E então da gravidade da dor, ela inventa uma falta de gravidade: uma amorosa flutuação - lunar.

Moon song, de Karen O e Spike Jonze, na voz rouca de Scarlett Johansson, da trilha de Ela - minha mais recente paixão fílmica...

Nela. Na lua. Para I.
A mulher troca de roupa enquanto conversa. Com ele. Homem ausente. Agora, só lembrança e imaginação. É. Mas mesmo assim, ela conta como…

Um filho de Allah - Jardim das delícias - site Revista da Cultura

Imagem
Cada um recebe um “bauzinho” na vida, uma herança familiar e social. Raro ter fortuna. Obrigatório vir com valores e padrões de comportamento, de pensamento, de vida. Frequente não querermos tudo. Mas para jogar fora, é preciso fazer inventário... E, como outros, este também pode demorar. Anos, décadas. E de repente, podemos nos perceber “vestindo” valores dos pais, “calçando” expectativas da sociedade. Ensemble que pode não se fazer em nós sinônimo de realização, de contentamento...

Um “bauzinho” em forma de uma tradicional bakery dinamarquesa: Em família, filme dePernille Fischer Christensen.

Allah-la-ô, marchinha de Haroldo Lobo e Nássara, na versão gentil de Maria Bethânia.
Um filho de Allah Na rua, uma família de homem, mulher e o filho ainda menino. Na rua, muitos outros. Quase crianças. Embriagados de riso e cerveja. Três por dez. No isopor carregado no ombro, empurrado no carrinho. Um até aceita cartão. O homem abre uma latinha e olha ao redor. Garotas de shorts e havaianas. Jove…

Uma sereia holandesa - Jardim das delícias - site Revista da Cultura

Imagem
Ela nos atende com um sorriso de gentileza. E nós, distraídos, só sorrisos. Se faz tanto sol, se o mar está tão lindo. Nada para pensar a não ser na fome de ceviche ou de lulas, na dúvida entre vinho branco ou caipirinha de uma boa cachaça local. Ali, uma sereia de olhos líquidos. Menos mar, mais lágrimas. Ninguém presta atenção. Ela então esconde a cauda, cala os cânticos e oferece o cardápio. Sugere robalo, sorri.
Para além de Vermeer e seu brinco de pérolas, seres muito ou pouco imaginários:  “The Land of Heart's Desire” peça de W. B. Yeats e “Song to the Moon”, da ópera “Rusalka”, de A. Dvořák.
Uma sereia holandesa

Um dia ela chega também voando. De uma terra de luzes e sombras. Ela, muito hippie e nada mítica. Loira, linda e de olhos transparentes. De olhar e alma aquosos. Mais, no susto deste sol tão explícito. Sem meios-tons. Como os homens. Tanto impulso e vontade. Também aquele. Magro, de olhos grandes e castanhos. Breu para perder e desnortear. A vida e o futuro ao dizer, a…