ninhos



A PM não mais platinada. Ainda os mesmos olhos pequenos e redondos. A boca delicada que ali, no Fórum, fica sem batom nem gloss. Lábios vestidos de contentamento e orgulho. Naquele momento. Um sorriso. Ela pega então o livro. De capa vermelha. Onde é também personagem. E o guarda. No peito. Sob o colete. À prova de balas. Porque apesar das histórias, de todo sangue, tiros e facadas, o livro ainda pode demandar escudo. Uma fragilidade. Mesmo que imaginária. Herança de sua autora. Esse almejar. Ninho e cuidado. Agora que guardado ali, aquecido, o livro silencia. E espera. Por ela. Sua dona e leitora. Para
se abrir. Quando ela quiser. Para sussurrar palavras, conduzindo-a pela mão através das páginas. A autora, esta deixa o Fórum, vai embora. Desejando que haja, também para ela, um lugar como aquele. De seu livro. Que silencie sua aflição e inquietação. Naquele dentro dela. Sem escudo. Exposto a balas. Existência de alta periculosidade. Algumas atenuantes. Mais agravantes. Em outras palavras e pessoas. Gestos. Também acenos de despedida. Não quero mais. Palavras para dizer e escrever. Porque se pode expedir. Sentença de execução. Acabou. Mandado de soltura. Meu. Ação de despejo. . Mas há descumprimento e atentados. Desobediência sinistra, emocional. Sabotagens.      

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